Esclarecimentos sobre o novo documento da Igreja Católica
jul 20th, 2007 by Marcus Vinicius Bastos Leandro
Como ele tem acesso liberado aos nossos jornais, revistas, tvs, está aproveitando para torcer as palavras e escritos do santo padre e criar um clima de animosidade e divisão entre os católicos e entre nós e os outros cristãos.
O modo como o último documento da Congregação para a doutrina da Fé foi apresentado pela imprensa seria no mínimo uma grande falta de profissionalismo, se não soubessemos que faz parte de um “trabalhinho sujo” do capeta. Como ele sabe que a sua derrota é a vitória da igreja, que só se dará num clima de perdão e comunhão, resolveu atacar a obra da unidade dos cristãos.
O documento é de uma precisão doutrinal absoluta (como, aliás, era de se esperar). A interpretação que o documento faz das palavras do Concílio Vaticano II é a corrente em muitos documentos anteriores (a um bom tempo). Contudo, a forma como a imprensa instrumentalizou a coisa fez parecer que o papa resolveu bater o pé no chão e dizer, meio mau humorado, que só a igreja católica é a igreja de Cristo. Bom, a eclesiologia católica nunca foi muito diferente disso.
O que deve ficar claro é:
1 - O papa não colocou o pé no freio no diálogo ecumênico. Nenhuma palavra a esse respeito está no documento.
2 - Ao contrário. Ao recordar que o Vaticano II usou a expressão “A igreja de Cristo subsiste na igreja católica” e não a expressão “A igreja de Cristo é a igreja católica”, o documento ressalta que isso significa uma dupla preocupação:
- identificar a igreja católica, enquanto sociedade constituída e organizada nesse mundo, com a igreja fundada por Jesus Cristo enquanto grupo visível e atuante na história.O Vaticano II assume assim uma eclesiologia “sacramental”, preocupada em mostrar a igreja como sinal do futuro reino de Deus presente ao mundo (inclusive como sinal de esperança para aqueles que não fazem parte dela). Ou seja, a igreja não é um “fim em si mesma”, mas serva de Cristo e serva do mundo que Cristo deseja tornar reconciliado consigo mesmo e com o Pai. O Concílio, mostrando a igreja como realidade histórica, capaz de transformar a humanidade pela realidade que já carrega nela de forma sacramental, não se identifica com o Reino de Deus. Ou seja: a igreja católica não é o Reino de Deus. O futuro reino de Deus possui fronteiras que vão além das fronteiras da igreja. Não há uma mera identificação entre igreja e comunidade dos salvos (isso é uma ênfase muito comum na eclesiologia evangélica. Por isso, infelizmente, às vezes não tenho coragem de perguntar a alguns irmãos separados se eles crêem que os católicos são salvos e estarão no céu. Tenho medo da resposta).
- a segunda preocupação do Concílio é de caráter ecumênico. Dizer simplesmente que a igreja de Cristo “é” a igreja católica significaria, simplesmente, dizer que todas as outras igrejas e comunidades não católicas “não são” a igreja de Cristo. Isso seria dar a elas apenas um papel negativo na história da salvação. Usando a expressão “subisiste”, o Concílio identifica a igreja católica com a igreja de Cristo mas diz que essa mesma igreja de Cristo é presente e operante nas outras igrejas e comunidades através dos meios de santificação dos quais o Espírito Santo se serve, nelas, para torná-las instrumentos de salvação. Portanto, o Concílio reconhece essas igrejas e comunidades como realidades salvíficas, mediação da salvação operada por Cristo e que chega aos fiéis não “apesar” das suas igrejas mas “através” delas.
3 - Que a igreja católica não chame as comunidades nascidas na Reforma de “igrejas” já é coisa velha. Os próprios protestantes, em todas as etapas do diálogo ecumênico, estavam cientes disso. É claro que isso é fonte de mal-estar, mas é coerente com a doutrina católica. Para a igreja católica, o que constitui uma igreja como “corpo de Cristo” na terra é a sua participação na salvação oferecida por Cristo através da celebração da Eucaristia. Essa reúne os fiéis em torno do sacrifício de Cristo e os sedimenta numa unidade corporativa ou hierárquica. A ordem que se estabelece em torno do altar da ceia, manifestada pelo ministério ordenado como serviço a todos os fiéis cristãos, é também ordem hierárquica: bispos, presbíteros e diáconos, enquanto servos do Corpo eucarístico de Cristo, realizam uma sua vocação específica no seio da igreja (que não é somente povo sacerdotal, mas possui também sacerdotes ministeriais). Como isso não é reconhecido pela teologia protestante, não há sacerdócio ordenado, nem sucessão apostólica, nem a plena substância do mistério eucarístico (apesar de se reconhecer o valor da ceia entre os evangélicos como memória do sacrifício redentor). Enfim, é uma questão terminológica e de tirar as consequências. Agora, só pra dar uma alfinetada. Queridos irmãos evangélicos (pelo menos aqueles que conhecem a doutrina das suas igrejas): a confissão de Westminster, o catecismo de Westminster, a confissão de Heidelberg, etc, etc, por outros critérios que não vêm ao caso, também não aceitam a igreja católica como igreja. E alguns irmãoszinhos, até hoje, ficam na dúvida se podem chamar os católicos de irmãos ou cristãos.
Enfim, tudo isso é só um desabafo…
Em todo caso, uma sugestão: vamos continuar fazendo nosso trabalho de formiguinha.
Como católicos, temos obrigação (segundo as palavras de João Paulo II) de nos empenharmos pelo ecumenismo. Ortodoxos e evangélicos são nossos irmãos (ainda que estejamos separados em muitas coisas). Cremos no mesmo Deus que nos salva: Pai, Filho e Espírito Santo. Cremos em um único Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Fomos lavados no banho da regeneração, o batismo, pelo qual nossas vidas foram seladas definitivamente com o sinal da esperança da futura salvação em Cristo. Nossas diferenças doutrinais (que existem e são importantes), mais uma vez geraram um clima estranho. Vamos aproveitar para nos conhecer mais; explorar o ponto de vista teológico do outro (antes de somente rejeitá-lo como errado, talvez percebamos que ele guarda valores que se complementam com o nosso).
Aqui no Méier, terra onde não perguntam a nossa opinião pra muita coisa, vamos continuar labutando pela reconciliação perdoadora entre aqueles que carregam o nome de Cristo Senhor. Êta coisa complicada…Mas nóis gosta…e Jesus também.
“As portas do inferno não prevalecerão”. Aleluia!
Por: Pe. Antonio José
Fonte: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=6067364655839667364
Até onde sei, Jesus Cristo não fundou nenhuma igreja. Estranho dizer isso, quando quem fundou a igreja católica foi o apóstolo Pedro.
“não tenho coragem de perguntar a alguns irmãos separados se eles crêem que os católicos são salvos e estarão no céu”
Irmãos separados? A Igreja Católica é separatista? Acho que esse comentário é um tanto preconceituoso.
“E alguns irmãoszinhos, até hoje, ficam na dúvida se podem chamar os católicos de irmãos ou cristãos.”
Eu fui Evangélico de berço, hoje sou espírita, mas os verdadeiros Evangélicos chamam a todos de irmãos - seja ou não Cristão. Ser Cristão é professar Cristo como O Caminho a Verdade e a Vida. Que seguem o ensinamento do Evangelho, com ou sem rituais.
Particularmente eu penso que todas as religiões são importantes - TODAS. E, como diz Salomão em Eclesiastes, há tempo para todas as coisas.
A pessoa que afirmar que essa ou aquela é a única religião verdadeira, precisará de mais algumas existências até entender que Deus não quer que nenhum filho se perca, por isso nos enviou Jesus. E certamente essa pessoa ainda não alcançou uma maturidade espiritual para entender o que é Deus e o Seu plano para a Humanidade.
Para mim, a única religião que prevalecerá no futuro, será a igreja de Cristo, essa sim, fundada por Ele - A Igreja do Amor a Deus, ao Próximo e àqueles que se dizem nossos inimigos.
Abraços!
Aceito o seu comentário para que se enriqueça esta conversa através de um outro ponto de vista.
Embora eu não concorde com o seu comentário, defendo até a morte o seu direito de se expressar, e seus comentários serão sempre bem vindos!
Abraços!
O layout anterior tava melhor! rs…